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Construída em 1932, a Casa Grande foi inicialmente residência de Barbara Estefno e Chafic Maluf, proprietários da Empresa Elétrica de Catanduva, que visitavam a cidade esporadicamente. A casa foi herdada Teophilo Estefno e Ignacio Miguel Estefno e, mais tarde, tomou-se casa de hóspedes, sob propriedade de Jose Estefno. Recebeu hóspedes celebres, cormo Roberto Carlos e Jorge Ben Jor. A partir de 1984, quando a Companhia Nacional de Energia Elétrica foi incorporada ao Grupo Rede, a edificação passou para o comando da Fundação da Rede de Seguridade e tomou-se local de trabalho para reuniões, treinamento e hospedagem de funcionários do grupo. Atualmente o edifício é de propriedade particular e é considerado como patrimônio histórico de Catanduva, tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico de Catanduva (Comdephact).
A Casa Grande é representante do Ecletismo, estilo que se difundiu no Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX. Este estilo, originário da Europa, caracterizou-se por composições que empregavam elementos historicistas de diversas origens e períodos e respondia a uma grande variedade de programas arquitetônicos. O ecletismo reproduzia estilos do passado, mas preocupado principalmente com seus aspectos formais. Por vezes, em um mesmo edifício encontravam-se elementos de diferentes estilos. Apesar de reproduzir formas arquitetônicas do passado, o ecletismo incorporou as novas técnicas construtivas que apareciam entre o final do século XIX e o início do século XX. O Ecletismo foi o estilo adotado em importantes construções de diversas cidades brasileiras, como o Teatro Municipal de São Paulo e do Rio de Janeiro, O Palácio dos Campos Elísios e o Palácio das Indústrias em São Paulo, o Palácio da Liberdade em Belo Horizonte e o Teatro José de Alencar em Fortaleza.
Dentro do ecletismo, o imóvel inventariado resgata o estilo histórico do Renascimento Veneziano, tendo como modelo os Palacetes sobre um pavimento térreo com paredes tratadas com rusticação*, como o Palazzo Corner em Veneza de 1532.
Podemos citar como características do Renascimento Veneziano que estão presentes na Casa Grande a já citada rusticação do pavimento térreo, a composição da fachada voltada para a rua em um plano único sem reentrâncias, a loggia** com colunata livre que aparece na varanda do pavimento superior e os arcos com inspiração oriental.
Aparecem ainda referências à ornamentação floreal ou orgânica de outros estilos históricos, representada na Casa Grande, por relevos de asas, frutas, folhas e flores entre os arcos e o entablamento. O capitel utilizado tem características próximas ao capitel da ordem compósita. O frontão interrompido é característico do barroco e apresenta a insígnia da família Estefno e Maluf. Era comum às famílias abastadas recorrerem a tal estilo como sinal de status.
* rusticação: alvenaria (ou imitação de alvenaria) onde as juntas entre as paredes são deliberadamente profundas. Nesta alvenaria, as pedras, quando aparelhadas, recebem uma textura marcante (SUMMERSON, 1997).
** loggia: pórtico; galeria; grande salão aberto por pórticos, sobretudo na arquitetura renascentista italiana; espaço aberto nos andares superiores, dentro do alinhamento da construção (ao contrário do balcão, que é saliente) (KOCH, 2001)
(texto retirado de CORATO, A. C. S. E
PORTO, D. R. Pesquisa histórica e
análise das estruturas arquitetônicas e urbanísticas dos bairros: Centro,
Higienópolis e São Francisco. Catanduva, 2007)


